Os descontos apareceram no seu benefício do INSS e você, que nunca assinou contrato, ficou sem saber a quem recorrer? Empréstimo consignado não autorizado envolvendo idosos se multiplicaram nos últimos anos — o que gerou forte reação dos tribunais e a criação de canais de defesa rápidos.

Por isso, preparamos um pequeno guia para mostrar como agir administrativamente e, se necessário, judicialmente para cancelar o contrato nulo, bloquear novas parcelas e receber tudo de volta em dobro.

Índice

  1. Por que o contrato é nulo?
  2. O que é possível fazer de forma administrativa:
  3. Quando e o que pedir na Justiça?
  4. Dicas práticas para evitar novas fraudes
  5. Conclusão

Por que o contrato é nulo?

  • Falta de manifestação de vontade: arts. 104 e 138 do Código Civil determinam que o negócio é inválido quando há vício de consentimento;
  • Hipervulnerabilidade do idoso-consumidor: art. 4º, I, do CDC reforça proteção especial;
  • Estatuto do Idoso (art. 71): prioridade de tramitação e atendimento.

Os tribunais reconhecem a ilicitude do desconto automático sem prova de contratação, aplicando responsabilidade objetiva às instituições financeiras. O STJ, porém, decidiu recentemente que a mera condição de idoso não gera dano moral presumido; é preciso comprovar prejuízo efetivo, como angústia ou privação de subsistência. Ainda assim, a devolução em dobro dos valores retidos permanece pacífica.

Aproveite para saber também sobre o direito de herança dos netos, o que é representação no Direito Sucessório.

O direito de herança dos netos: o que é representação no Direito Sucessório

O que é possível fazer de forma administrativa:

Empréstimo consignado não autorizado

  1. Bloqueie a margem consignável: acesse Meu INSS ou ligue 135 e solicite bloqueio imediato de novos contratos;
  2. Peça espelho de empréstimos: verifique quantas operações estão ativas;
  3. SAC do banco: registre reclamação, anote o número de protocolo e exija cópia do contrato com assinatura ou gravação de voz;
  4. Banco Central – Registrato: sem resposta em até 10 dias, abra queixa no site do BC. Muitas instituições estornam valores quando o BC entra no caso;
  5. Procon: protocole denúncia para reforçar a pressão.

Guarde todos os documentos: extratos, protocolos e prints do Meu INSS. Eles serão a base de eventual ação judicial.

Quando e o que pedir na Justiça?

Se o desconto continuar ou se o banco negar devolução:

  • Juizado Especial Federal (até 60 salários-mínimos) ou Justiça Comum, a depender do valor.

Pedidos principais:

  • Tutela de urgência para suspender imediatamente os descontos;
  • Declaração de inexistência da dívida;
  • Restituição em dobro (CDC, art. 42, parágrafo único);
  • Dano moral, provando impacto na subsistência ou saúde.

Decisões de Turmas Recursais e Tribunais de Justiça confirmam esses direitos com frequência, inclusive fixando multa diária para obrigar o banco a cessar os descontos Tribunal de Justiça DF.

Dicas práticas para evitar novas fraudes

  • Nunca informe senha ou código por telefone;
  • Cadastre-se no “Não Me Perturbe” para bloquear ligações de oferta de crédito;
  • Ative autenticação em dois fatores no aplicativo do banco.

Conclusão

Não deixe que o empréstimo consignado não autorizado corroam sua aposentadoria. A Costa Sociedade de Advogados possui equipe dedicada à defesa de idosos consumidores, com atuação rápida para bloquear descontos e reaver valores. Entre em contato conosco pelo site, acompanhe nossas publicações no perfil @advogados.costa  e confira todos os nossos serviços no Linktree.